Outra vez me deparei em um momento de choque cultural por aqui. Descreverei a cena tentando ser a mais isenta possível.
Estávamos caminhando em direção a parte superior da Universidade, uma amiga e eu, quando vimos caído no chão um homem desacordado. Ele aparentava uns 60 anos, vestido normalmente, aparentemente asseado e tinha uma bicicleta caída ao lado. Em segundos estavamos nos perguntando se e como deveríamos ajudá-lo. Quando olhamos para os lados, a poucos metros de distância, cruzando a rua de mão única, havia duas mulheres finlandesas de meia-idade conversando e ignorando o fato. Ainda nos perguntamos: "Por que elas não estão fazendo nada?"
O que você faria?
Bom, felizmente, ao aproximarmos do senhor outras pedestres finlandesa também se aproximaram para ajudar o homem. Uma das mulheres perguntou, em finlandês, se ele estava bem. O homem tentou se levantar, mas caiu de novo. A esta altura a segunda moça já chamava a ambulância. Fomos embora já que tudo estava encaminhado.
** Reflexões **
Por que as mulheres do outro lado da rua nem se mexeram para ajudar o senhor? Há muitas explicações, dentre as quais o fato de normalmente se encontrar homens bêbados caídos pelas ruas. As pessoas simplesmente ignoram esses seres. Uma ou outra pessoa faz alguma coisa.
Mesmo assim, pela cena, a única coisa que conseguia imagina era um acidente de bicicleta. O meu primeiro ímpeto era tentar ajudar, mas noto que isso não é mesmo comum por aqui... Você consegue ajuda ou informações somente se pedir, mesmo nas lojas ou na rua. Raríssimas vezes há uma atitude pró-ativa dos nativos aqui. Claro, já ouvi casos de estrangeiros que receberam ajuda, mas nunca aconteceu comigo. Mas é cultural, certo?!
No início me senti estranha em um ambiente em que as pessoas evitam olhar para você, te ignoram quando você diz "oi" na própria lavanderia do prédio, mas depois de quase um ano e meio, acho que estou ficando assim também. Terrível, eu acho. Mas pensem que no refeitório da universidade as pessoas fazem questão de sentar várias cadeiras de distância, no cinema com lugar marcado o bilheteiro coloca as pessoas sempre pulando um assento se a sala estiver vazia, nos ônibus e trens é comum sentar apenas uma pessoa em bancos duplos... Como se adequar ou como não se adequar a esta realidade?